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Uma década perdida para a economia da Região Norte Imprimir e-mail
12-Abr-2010

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Em dez anos, o Norte perdeu terreno face à UE. Centro manteve posição. Resto do país cresceu.

No espaço de uma década, o Norte perdeu o comboio da União Europeia e ficou mais pobre. Foi a única região a chegar a 2007 pior do que estava dez anos antes, isto ainda antes de a crise económica ter atingido em cheio as regiões mais exportadoras, como esta.

Em 1997, a riqueza produzida por cada habitante da Região Norte correspondia a 63,6% da média da UE. Nessa altura, entre os Quinze países (deixando de fora os da Europa de Leste que aderiram à comunidade muito depois de Portugal), só os Açores e a Extremadura espanhola eram mais pobres do que o Norte.

Dez anos depois, a região não tinha recuperado face aos parceiros comunitários, ou seja, não tinha diminuído a distância face à riqueza produzida no resto da Europa. Pelo contrário, estava comparativamente mais pobre, já que o Produto Interno Bruto tinha caído para 60,3% da média comunitária.

No terreno, mantinham-se as mesmas críticas e observações: os trabalhadores podem ter um certificado a dizer "12.º ano completo", mas continuam pouco produtivos; a estratégia de ver os sectores tradicionais a subir na cadeia de valor só parcialmente foi bem sucedida e a região continua sem um rumo bem definido.

Em 2007, por seu turno, os Açores, tinham subido para 67,6% da média e a Extremadura disparado para 72,4%. Entre os Quinze, além do Norte, estavam a marcar passo a Guiana, uma região sul-americana administrada pela França, e uma só parte da Grécia.

Os dados do Eurostat, organismo estatístico europeu, dizem respeito ao ano de 2007, antes portanto da crise financeira, primeiro, e económica depois. Durante um ano, o comércio internacional caiu a pique (e com ele boa parte das vendas das empresas a Norte, de onde ainda sai a maioria das nossas exportações) e a falta de trabalho disparou (os dados relativos à região indicam uma taxa de desemprego superior a 10%).

É, por isso, de supor que os dados relativos a 2008 e, sobretudo, a 2009 venham a revelar um empobrecimento ainda maior da região Norte. Da mesma forma, refira-se, a Grécia poderá ver mais regiões a cair para o fundo da tabela da riqueza da UE-15 na sequência das fortíssimas medidas de contenção de despesas que o Governo grego está a ser forçado a instituir, para evitar que o país entre na bancarrota.

Mas, na década entre 1997 a 2007, diz o Eurostat, Portugal teve um desempenho heterogéneo. Os dados da entidade estatística medem a riqueza por habitante e pondera-a à paridade do poder de compra (já que o custo de vida nos países nórdicos, por exemplo, é maior do que em Portugal, o Eurostat ajusta essa diferença, para se poder comparar directamente realidades diferentes).

Um país, várias velocidades

Nessa óptica, vê-se que o país andou a várias velocidades. A região Centro manteve praticamente o mesmo lugar de onde tinha partido, estando em 2007 a produzir o equivalente a 64,4% da média europeia. Lisboa pouco melhor desempenho teve, mas mantinha-se solidamente acima da linha média dos parceiros comunitários, produzindo 104,7%.

Quanto mais para Sul e Oeste se caminha, mais animador fica o cenário. O Alentejo ganhou quase dois pontos percentuais (71,9%) e o Algarve já está a começar a perder o direito a fundos comunitários de apoio ao desenvolvimento, ao atingir uma riqueza de 79,6% da média europeia.

A grande evolução foi conseguida pelas duas regiões autónomas. Os Açores, que em 1998 atingiram um último lugar da pobreza, tinha subido quase dez pontos percentuais e atingia os 67,6% da média; e a Madeira, tendo começado onde estão agora as ilhas açoreanas, disparou para 96,3%, no espaço de uma década.

Fonte: JN


 
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