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Revolução de Jasmim Imprimir e-mail
22-Fev-2011

paulo_seara.jpegOs protestos entraram na capital após um mês de motins. Assim aconteceu a revolução de Jasmim.

No dia 14 de janeiro, Ben Ali, presidente da Tunísia há 23 anos foge para a Arabia Saudita, tendo a sua esposa levado num avião privado 1500 barras de ouro, após a fuga, o primeiro-ministro do partido governamental RDC, cria um governo de unidade nacional que engloba partidos da oposição, acto de generosidade discutível e convoca eleições no prazo de 60 dias. A proposta até parecia ambiciosa, democrática, mas a veloz proposta para acalmar a população não mereceu confiança.

O governo tentou pela via democrática a manutenção do poder, e eleger um parlamento débil, um governo desbotado, e aclamar um ex colega de Ben Ali presidente. A população, não permitiu que tal acontecesse. A Tunísia presa a um regime autoritário, com uma economia dominada pela família do presidente, abriga uma sociedade com uma enorme pobreza, onde o desemprego brutaliza o dia a dia, 30% dos jovens adultos não têm emprego, e regra geral os empregos são comprados, sendo esse um exemplo maior da corrupção.

Os recursos da Tunísia são fracos, não tem petróleo nem gás natural, e sobrevive-se com a indústria do turismo. Todos os indicadores económicos e sociais eram desfavoráveis a um bom desfecho para Ben Ali, mas segundo os dados do FMI, e da OCDE, o país era um exemplo da economia de mercado e da democracia. Os critérios do FMI devem ser muito amplos e ao mesmo tempo ligeiros.

Todos os países daquela região são um exemplo de violação dos direitos humanos, por exemplo a Argélia onde impera o estado de emergência desde 1992. A reacção do mundo árabe foi de preocupação pelo efeito de contágio. A coragem dos Tunisinos retira o tapete da legitimidade aos regimes autoritários, ou de democracia duvidosa na região. Desde a era das independências, de Marrocos ao Egipto, o caminho natural foi a ditadura dissimulada.

No diálogo entre a EU, e o Magrebe, os direitos humanos foram renegados pelo interesse económico puro e com a desculpa do fator cultural. Esta revolução, se não fracassar, vai mudar essa relação, e terá consequências na região. A Tunísia está a conhecer um tempo difícil, depois do conflito social que começou na província, e da sua resolução nas ruas. Os manifestantes após o fim do regime eliminaram uma tentativa absurda de bloquear a democracia e as reformas necessárias para sair do atoleiro social, com um acto de insurreição e revolução. Exército e polícias quando não apoiam os protestos são neutrais, preocupando-se com a segurança pública.

As atenções estão viradas para o desenvolvimento, os motores da economia na mão da família de Ben Ali, serão nacionalizados, pois não estão em condições de voltarem a pertencer a uma dinastia política. A comunicação social, libertada da censura robustece a liberdade de expressão. Os exilados voltam, e os dissidentes foram libertados das prisões.

A população quer eliminar o partido do ex-presidente. É uma questão de equilíbrio de forças, moral e de vitória social, mas que tem de ser o mais pacífica possível. Desde a independência em 1957, que a Tunísia vive sem um estado de direito verdadeiro. As democracia ocidentais têm culpa ao criarem artificialmente no pós segunda guerra mundial, o que designam hoje de estados falhados. Mas por agora a palavra final pertence ao tunisinos, que possivelmente não desejarão eleger dentro de 50 dias a sombra de Ben Ali.

A gota de água desta revolução, foram as revelações da Wikileaks. Os tunisinos não precisavam que ninguém lhes contasse isso, bastava ver os preços do pão e dos combustíveis. A organização de Julian Assange, publicou informações que despoletaram os protestos em larga escala, até fora da Tunísia. O governo tentou travar bloggers, que difundiam as informações da Wikileaks, mas a rede de hackers Anonymous lançou um ataque duro aos sites do governo. As tecnologias da informação desempenharam um papel decisivo na mobilização do povo, especialmente os jovens.

Um exilado político em Paris, Mohamed Ben Hazouz, chamou a esta revolução, a primeira cyber revolução do mundo. Espero que esta revolução seja o 25 de Abril da Tunísia, e consequentemente mude a vida das sociedades do Magrebe. Desejo que a EU aproveite esta oportunidade para abrir um novo caminho de políticas e de relações de poder, e que também possibilite o enraizamento de um estado laico e democrático na Tunísia, para afastar o fundamentalismo. Espero que o povo Tunisino esteja em sintonia no mesmo diapasão, pois é dos povos do Magrebe que mais se aproxima dos ideais democráticos.

A queda deste regime, vem mostrar aos políticos europeus e portugueses que procuram financiamento para a dívida que o convívio com ditaduras não é para seguir como modelo de desenvolvimento, mas o discurso oficial suaviza-se e a opinião pública não anda correctamente informada. No médio oriente não se compram apenas empréstimos.

 

 

In Fórum Jovem 27.02.2011

 
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