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Os Flavienses e a Austeridade: Uma História de Amor Imprimir e-mail
23-Jul-2011
paulo_justo.jpgPassadas umas semanas desde que tomou posse o novo governo, já algumas ilusões dos mais crédulos caíram por terra. A “gordura” do estado começou a ser removida com cortes no 13º mês de todos os ricaços que auferem mais do que o salário mínimo. Estamos sem dúvida no bom caminho, e para reforçar a ideia avança sem demoras uma sobretaxa do IRS. Não obstante, tratam-se apenas de medidas pontuais, pensarão alguns incautos voluntários, acreditando fielmente que a redução brutal do défice exigida num espaço temporal surreal se fará com exímia competência e benevolência. Os flavienses esqueceram-se de que os mais pequenos, pela sua insignificância e dependência, serão sempre os primeiros a ser sacrificados em nome de causas maiores. Quando nos entregamos a essas causas, abdicamos do nosso papel como agentes activos numa democracia que se quer verdadeiramente representativa. Aqui em terras flavienses olvidaram-se novamente disso em nome de uma fé cega por bandeiras de partidos políticos que se acham maiores do que as pessoas que representam.

Poderá surpreender como retóricas generalistas que demitem todo o tipo de responsabilidade objectiva, do género “é inevitável” e “vivemos acima das nossas possibilidades”, se incrustaram nas mentes dos flavienses. Afinal de contas, falamos de uma terra persistentemente prejudicada em estratégias de desenvolvimento nacionais/regionais e sistematicamente secundária nas prioridades de investimento. Com elevados níveis de desemprego, declínio e envelhecimento demográfico, uma indústria local fragilizada, um sector turístico anémico e um baixo PIB per capita, é difícil encontrar razões que expliquem a esmagadora adesão nestas terras à política de austeridade delineada pelos líderes e partidos políticos que integram o Partido Popular Europeu.

Os portugueses em geral querem ser bons alunos de uma Europa sem rumo, despida de solidariedade e indiferente às disparidades nela existentes. Por seu turno, os flavienses querem ser bons alunos dos “professores” que mais os ignoraram e castigaram, esperando um dia verem-se reconhecidos pelo seu potencial inato. Os caminhos da fé são sem dúvida misteriosos, mas como esta aponta sempre na direcção dos mesmos, talvez estejamos a falar de mais uma história de amor não correspondido.

Nós, flavienses, somos generosos. Colocamos convicções alheias do que é melhor para o país acima do nosso próprio bem-estar, conseguindo dissociar aquilo é indissociável. Queremos ser centrais para as políticas, mas enveredamos por políticas e bandeiras que nos tornam acessórios. Continuamos sem perceber que o mal do nosso país foram as assimetrias reforçadas pelo abandono do interior, por opções económicas que comprometeram o futuro, e por um completo desajustamento na estratégia de desenvolvimento. Demos carta-branca a privatizações a preço de saldo, aumento de impostos de bens essenciais, ao desinvestimento, à contracção do mercado interno, e à expansão da precariedade e do desemprego.

Os sucessivos governos incompetentes que devastaram as promessas de uma terra rica em património histórico e natural, foram devidamente punidos pelos flavienses. Não liguem a todos os resultados eleitorais das últimas décadas: em casa, nos cafés, nos bares, os dois grandes partidos políticos foram devidamente vilipendiados e insultados. No momento da escolha, no entanto, a balança pende sempre para o mesmo lado. É assim no amor, não existem nunca opções ou alternativas credíveis, mas apenas um sentimento de pertença e lealdade que controla e tolda toda a razão: sejam bem-vindos ao verdadeiro Portugal dos pequeninos.

 
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