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O ser irrepetível Imprimir e-mail
01-Ago-2011
paulo_seara.jpegTodos os artistas são seres irrepetíveis. A cultura nunca permanece igual, porque os seres irrepetíveis mudam as vírgulas ao texto. Nas artes, o Homem, como fonte primária da criação extravasa as suas pulsões artísticas para o grande leito cultural. A cultura não é só um fenómeno coletivo. Este novo modo de ver, está longe da reprodução folclórica, ou da visão capitalista. Não podemos ficar indiferentes, a cultura actualmente são os criadores, tudo, desde a mensagem prometeica ou a charlatanice, passa pelo individuo.
 
Não podemos ser macambúzios e deixar passar para o esquecimento as pérolas da nossa riqueza cultural, e resgatar num ato de contrição, os salvados em manhãs que silvam glórias, e gordurosos orçamentos de estado, quando houver capital. Apeie-se a moral. Os artistas são contemporâneos, e nessa qualidade, devem ser compreendidos e ouvidos. Que o tempo não sirva de desculpa, para que entidades e organizações sejam displicentes por inércia ou à espera de orçamentos para fazer fác símiles de poetas mortos. É agora que existe a pureza do ato artístico, do ser irrepetível, mas há quem o prefira contaminar com a mortalidade, e o culto aos mortos. Há uma secreta arqueologia e penitência que entra na vida dos vivos, afastando-os do reconhecimento social. Podem dizer que são consequência de um época cinzenta, que não reconhecia os seus seres irrepetíveis, e que é imperativo partir de trás! Porém hoje em liberdade, não se ajustem as contas com o tempo perdido, cortando rente às unhas os seres irrepetíveis de agora. Há que se escolher o lado de cá, o lado dos vivos. Vamos acumular macabramente, um fardo de mortos a haver, ferindo a nossa liberdade, tal como fazem as grandes potências ocidentais ao exportar a democracia, fertilizando-a num grande torrão de morte? Não posso compreender que política cultural ganhará simpatia dos vivos, quando escolhe os mortos, e os arquiva, como acontece no Grémio Literário Vila-realense.  

A democracia cultural aprender a ouvir as coisas no seu tempo ideal, mas não esquece os criadores esquecidos do passado. Resumir o presente, recolher amostras do passado, seleccionando com critérios fracturantes os mais aptos, não é olhar todo o rincão cultural, mas escolher sem sinceridade os escribas do regime. No campo artístico actualmente é necessário abrir as portas a todos, para lhes dar uma experiência, fruir aquilo que fazemos, somos, e pensamos. Não é um inconsciente ato de ócio. É por isso que não concordo com a política cultural fragmentada do município de Vila Real. Excepto o Teatro Municipal e a Biblioteca, não existe qualquer plano, é tudo pantanoso. O Grémio Literário, é um grémio funerário. O Museu da Vila Velha e o Museu de Numismática, têm uma missão concreta, o problema são os orçamentos, e a fraca presença da sociedade civil. Os eventos atípicos e pontuais têm carências, que se revelam pela pobreza das festas da cidade, empurradas para locais da cidade desqualificados. Há ausência de objectivos, escondidos pelas eternas dificuldades orçamentais, e por uma invisível vereação, sempre com fraca e hostil convivência com os agentes culturais. Nas freguesias rurais incentiva-se a cristalização das associações e coletivos. Mas toda a política cultural tem o seu bezerro de ouro: as corridas de automóveis; cada evento custa aos munícipes 400 mil euros. Se não fosse a UTAD o nosso PIB cultural seria ainda pior e menos jovem. O amor que os munícipes nutrem pelo executivo PSD deve ser maior do que o murro do estômago que agora vos lanço. Vão exigir mais do vosso amor ou mudar de amor? Vão exigir que se crie uma agenda cultural municipal, princípio de um trabalho cultural em rede, montra de outros espaços, artes e desporto!? Não estranham que muitos eventos sejam promovidos com panfletos avulsos? Vila Real é a única capital de distrito sem agenda cultural. Vejo muitos cronistas a opinar sobre Vila Real mas poucos a acertar, e com a idade a visão habitua-se ao erro.

As soluções não vêm aos pares, é preciso conquistar uma única solução, basta de agradar a gregos e troianos, em cultura é preciso fechar um ciclo de entendimentos da esquerda à direita, que colabora renitentemente e a más horas; quando não colabora como vai ser o caso deste governo que extinguiu o ministério da cultura. Não conhecem o básico, como a declaração dos direitos humanos. E os seus jovens militantes confundem cultura com festas académicas, rústicas e anémicas; mealheiro para atos de avidez, corrupção e enriquecimentos. Estágio de futuros deputados de ficções sociais democratas PSD e PS.

Este artigo não é um incidente de percurso ou provocação, explano o que tem que ser a democracia cultural; são algumas ideias que o Bloco de Esquerda defende. Ousem outros faze-lo, pois o campo ideológico não nos pode separar assim tanto, num país desenvolvido como a Holanda a direita ou a esquerda paga aos escritores para contestarem o governo! Se não quiserem o caminho da reconciliação, é porque no fundo continuam inseguros, agarrados às saias do passado, fazendo o culto aos mortos; puro gozo romântico, paternalista e provinciano. No essencial ademocrático e não humanista. São necessários consensos nas obras imateriais da cultura. Quanto às obras materiais, não há papel que chegue para enumerar os elefantes brancos, e o que se olvidou de empregos de qualidade em comunidades do interior onde autarcas, burocratas e governantes afirmaram que a cultura iria substituir as atividades produtivas.
 
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