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Ocupar (e) a Igreja? Imprimir e-mail
14-Nov-2011

sofia_gomes.jpgA manifestação internacional ocorrida no passado dia 15 de Outubro foi um acontecimento estrondoso. Contudo, o que sucede e continua a suceder é ainda mais extraordinário, particularmente em Londres, onde o Movimento Occupy London Stock Exchange está acampado na Praça São Paulo.

Contrariamente aos que as elites britânicas pensavam, o acampamento continua e está até a expandir-se para uma outra praça nas redondezas. Não obstante o plano incial (ocupação da praça onde fica a Bolsa de Londres) não ter sido concretizado devido à actuação da polícia, os objectivos estão a ser atingidos: questionar o sistema, questionar as divisões sociais e, sobretudo, trazer as pessoas para a praça pública para debaterem o estado actual da política. O problema para as autoridades é que os manifestantes estão a comportar-se de forma exemplar, cumprem-se todas as regras necessárias para manter elevados níveis de higiene e bem-estar para todo o espaço envolvente; não são permitidas drogas ou alcóol; numa palavra, cooperação com as autoridades na manutenção do espaço envolvente mesmo em alturas de grande afluência quando ocorrem as assembleias populares.

As pressões para que saíssem começaram a surgir e vieram do sítio mais inesperado: a própria Catedral de São Paulo. Esta decidiu cerrar as portas alegando que era impossível, devido à ocupação da praça, que os visitantes (turistas ou não) entrarem normalmente na igreja. Ora, segundo testemunhos dos próprios visitantes, os ocupas traçaram uma linha para além da qual estavam proibidas tendas deixando um amplo espaço para se entrar no edifício.

Seguiram-se uma série de polémicas entre as quais destacamos a notícia de que a maior parte dos manifestantes não ocupava as tendas à noite, indo para casa pernoitar. Um tentativa de escândalo que durou um par dias na imprensa. Mas os acontecimentos mais significativos são sem dúvidas as demissões dentro da Igreja Anglicana e as alegações de que a Fundação para a Catedral teria ligações à City de Londres, isto é, o centro financeiro do Reino Unido.

As demissões são importantes na medida em que mostram que, apesar do Arcebispo da Cantuária ter mantido um silêncio ensurdecedor, nem todos aceitam o pacto entre o clero e a aristocracia em detrimento do povo e rejeitam a hipocrisia daqueles que pregam uma coisa e praticam outra.

As ligações entre a City e a Fundação não são de estranhar. Parece sempre bem que um capitalista financeiro que especula e explora, faça a sua caridadezinha para se manter tudo conforme está. O papel da Igreja Anglicana foi bastante conveniente, evitou que City se tornasse ainda mais o inimigo a abater ao accionar processos judiciais para a expulsão dos manifestantes.

A Igreja Anglicana comprou uma guerra que podia ter evitado se tivesse escolhido o lado certo da crise. Os manifestantes ainda estão a ocupar e autoridades não sabem o que fazer. A City está agora considerar uma possibilidade, um acordo com os manifestantes: se saírem até ao fim do ano, não haverão processos judiciais.

Pela minha parte, espero sinceramente que não cedam às ameaças. Os protestos estão a expandir-se pelo Reino Unido fora e pela primeira vez desde há muito tempo, o povo está a mobilizar-se para dizer uma ou muitas palavras sobre assuntos que lhe dizem respeito. Neste momento, ocupar é participar e isso tem um nome: democracia verdadeira.

 

Sofia Gomes, antigo membro da Cordenadora Distrital do Bloco de Esquerda de Vila Real., actualmente emigrada em Inglaterra.

 

 
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