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Observações sobre a Cultura em Vila Real Imprimir e-mail
04-Ago-2013
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Faço primeiramente um ponto prévio. Este artigo não é um levantamento de necessidades, mas uma análise do que existe e o que se faz culturalmente neste município. Ao contrário do que se pode pensar Vila Real tem hoje diversidade social, e por arrastamento cultural. Mas tem a liberdade de o afirmar? E espaços? E um serviço público capaz de ajudar os cidadãos, entidades, associações e artistas? Não, ainda há muito para fazer. Não chegamos ao fim da história. Nem enveredamos em optimismos histéricos próprios do fulgor da especulação, ou da construção de mais infra-estruturas para corresponder a capitalidades ou grandes eventos culturais, como receber uma capital europeia da cultura.

O importante é encontrar uma política de equilíbrio entre os agentes culturais e a governação do município que seja transparente, democrática e participada. Somos uma pequena cidade. Primeiramente, temos que atender às nossas necessidades culturais locais, construir um plano de desenvolvimento cultural (sem amarras ideológicas) a médio prazo; e ao nível das responsabilidades locais não esqueço a melhoria do trabalho de promoção e dinamização cultural juntos das cidades geminadas; que tem sido pobre.

 

Não tem sentido competir culturalmente com Braga, Guimarães, Porto, Viseu, são cidades “longínquas”. Não tem sentido propor a construção de uma pavilhão multiusos para uso cultural, quando podemos ter cultura em todos os recantos da cidade, e a custos controlados, ou até aproveitar a dinâmica da reabilitação ambiental e urbana. Não faz sentido, deixar fugir o festival Douro Film Harvest da capital de distrito, que tem aliás tem vindo a perder qualidade, e que serve sobretudo de escaparate comercial de empresas, usando a marca Douro.

Melhorar o cenário não será um trabalho pronto amanhã, demora décadas. O tempo da cultura não é o tempo dos políticos, mas de todos.

 

Para o Bloco de Esquerda:

A Cultura enquanto actividade social e económica não deve ser uma actividade meramente mercantilizável.

 

A Cultura deve ser vista como manifestação de costumes, tradições e práticas colectivas de uma dada população que sofrem modificações devido às mudanças temporais, das ideias e de protagonistas. Sem medos, e sem centralismo.

 

Não defenderemos a letargia cultural por imposições da gestão economicista, não são o nosso propósito. O país não tem um ministério da Cultura. E Vila Real quando é que terá um pelouro dedicado à cultura?

 

Não protagonizamos a política selectiva dos subsídios cara a cara. Prática que acontece na maioria dos municípios em Portugal. É necessário apoiar a Cultura através de diversos contractos programa.

 

E principalmente, queremos consciencializar os cidadãos que a libertação da criatividade artística é uma parte intrínseca do Homem, e que deve ser conquistada pelos agentes culturais. Por ventura, é aqui que os outros partidos falham, pois têm uma visão da cultura meramente economicista ou colada às grandes obras. Por exemplo, Graça Morais ou Amadeo de Souza Cardozo grandes pintores do nosso tempo, com raízes bem próximas de nós não precisaram de museus para crescer, mas de pessoas próximas, curiosas e despertas para as artes, e só com educação isso é possível.

 

Quase uma década depois da inauguração do Teatro Municipal, as mudanças culturais mais significativas foram incrementadas pela Culturval. Esta Empresa Municipal (já extinta) foi no nosso ponto de vista um caso de sucesso que deveria manter-se. Ao nível da gestão pugnaremos pela sua manutenção dentro da CMVR, com rigor e transparência. No entanto fruto da crise económica, do fim do Ministério da Cultura, e das opções do liberalismo económico do governo a cultura foi mortalmente ferida. A programação local, o trabalho com os agentes locais, seguiu a lógica do empobrecimento, com menos tinha que se fazer menos. Não escondemos que algumas iniciativas da Culturval merecem uma reciclagem ou um maior apoio do município, pois as competências ampliaram-se e a estrutura, sobretudo ao nível dos recursos humanos, é pequena.

 

Sabemos que esta cidade não respira cultura sendo perfeitamente irrelevante no panorama do Norte do país. Ao longo de 4 década Vila Real sob a gestão PSD não criou uma agenda cultural. Gostaríamos de contribuir para que ao longo do próximo ciclo autárquico se possa apresentar uma agenda cultura que dignifique Vila Real. Uma das nossas apostas é a criação dum festival internacional de artes performativas, numa cidade que não tem qualquer actividade cultural com impacto que ultrapasse os apertados limites do concelho. Além desta ideia encontram-se outras propostas no nosso programa “Por uma município moderno e solidário”.

 

A estratégia para fazer crescer Vila Real culturalmente demora o seu tempo, tem que haver compromissos e metas para os próximos anos, mas que não esqueça os artistas e produtores independentes.

 

Paulo Seara, membro da Comissão Coordenadora Distrital do BE Vila Real. 

 
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