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Ásia Central e a Energia: o busílis da política externa norte-americana Imprimir e-mail
18-Jun-2009

sofia_gomes.jpgFoi há alguns dias que me deparei com um artigo muito interessante num site de informação alternativa – www.alternet.org – sobre o Afeganistão, o Paquistão, a China, a Rússia, o Irão e os EUA. À partida, poderíamos pensar que estes países embora bastante ligados por circunstâncias inesperadas, não teriam nada em comum a não ser algumas fronteiras geográficas. Estamos errados.

Segundo o seu autor, Pepe Escobar, a Ásia Central representa um fonte de energia demasiado preciosa para que passe despercebida às três grandes potências: os EUA, a China e a Rússia. Os dois primeiros são os maiores consumidores de recursos energéticos fósseis; o terceiro necessita de controlar as fontes de energia do Cáucaso para continuar a ser o principal fornecedor do gás natural à Europa e assim manter o seu poder político. Não admira então que um dos maiores e mais complexos conflitos militares actuais esteja exactamente naquela zona: Afeganistão e Paquistão (Af-Pak). Estes dois países representam um corredor de passagem da energia que pode ser transportada tanto do Irão como do Turquemenistão (crê-se que ambos possuem vastas reservas de gás natural) em direcção à China Ocidental.

O problema reside exactamente aqui: os EUA não querem que a China receba energia do Irão ou do Turquenemistão pois significaria uma maior aproximação entre estes países e a Rússia e não só desvalorizaria a esfera de influência norte-americana (desde a Europa Ocidental até à região Af-Pak, passando pela Geórgia) como estes perderiam o controlo dos recursos energéticos vitais para a sua economia. Assim, a única forma de evitar que isto aconteça está na tentativa de controlar a região Af-Pak. Hamid Karzai e Zardari nos governos destes países facilitam a presença americana.

Nos dias 15 e 16 deste mês, a Organização de Cooperação de Xangai (que tem potencialidades para contrabalançar a NATO) assim como os países constituintes do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) realizaram uma cimeira para discutir o futuro do sistema financeiro internacional. Os EUA ficaram de fora, a sua presença como observadores da reunião não foi admitida. A China, como detentora da dívida norte-americana, preocupa-se cada vez mais com o valor dos seus títulos emitidos em dólares. Não é por acaso, que este país, já sugeriu a criação de uma nova moeda internacional. O próprio Secretário do Tesouro, Timothy Geithner foi obrigado a deslocar-se a Pequim de forma a garantir a segurança do investimento nos títulos do Tesouro dos EUA. A reacção daqueles presentes no seu discurso foi uma advertência: o riso da assistência demonstra a pouca credibilidade que os EUA começam a ter nas grandes transacções financeiras mundiais. Outro ponto pouco focado pelos média dominantes é o facto de o Quirguizistão não ter renovado o contrato que permitia aos americanos manter a base militar naquele país. O Quirguizistão é um membro permanente da Organização de Cooperação de Xangai.

Perante a emergência de novos centros de decisão, os norte-americanos com certeza que não abdicarão do seu espaço político, económico e militar. As guerras pela energia são uma extensão dessa luta pela manutenção da hegemonia económica que se verificou na década de 90. Contudo, não nos parece que seja possível e, sobretudo, desejável esta manutenção. Numa altura em que em Portugal se discute o envio de tropas para o Afeganistão, é importante descortinar o que estas guerras significam verdadeiramente: o controlo dos fluxos de energia e a prevenção do acesso aos mesmos por parte da China. O Bloco de Esquerda, através do Conselho de Estado, manifestou-se absolutamente contra esta medida o que demonstra coerência pois desde o início que foi contra esta guerra absurda.

 
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